Crescimento / Esportes

Hérnia esportiva em crianças e adolescentes: sintomas, diagnóstico e tratamento.

Pubalgia atlética: sintomas e tratamento em jovens atletas.

A hérnia esportiva, também chamada de pubalgia atlética, é uma causa de dor na virilha que pode afetar atletas durante movimentos intensos, como chutes, torções e mudanças bruscas de direção.

Apesar do nome, geralmente não se trata de uma hérnia tradicional, mas de uma lesão dos músculos e tendões da região inferior do abdome e do púbis. Em crianças e adolescentes, é importante investigar outras possíveis causas de dor, considerando que o esqueleto ainda está em desenvolvimento.

O que causa a hérnia esportiva?

A lesão ocorre quando os tecidos moles da região abdominal inferior ou da virilha são submetidos a uma força excessiva. Isso pode acontecer quando o atleta realiza uma torção repentina com o pé apoiado no chão ou durante um chute explosivo.

As estruturas mais frequentemente envolvidas incluem os músculos oblíquos do abdome, seus tendões próximos ao púbis e os músculos adutores da coxa.

Esportes como futebol, hóquei e outras modalidades que exigem acelerações e mudanças rápidas de direção podem favorecer esse tipo de lesão.

Anatomia dos músculos abdominais e adutores e suas inserções na região do púbis.

Quais são os sintomas?

O principal sintoma é a dor na virilha ou na região do púbis, que pode surgir de forma intensa durante a atividade esportiva.

Também podem ocorrer:

  • Dor ao correr, chutar ou mudar de direção.

  • Sensibilidade na região pubiana.

  • Desconforto ao contrair o abdome ou aproximar as pernas contra resistência.

  • Dor ao tossir, espirrar ou realizar movimentos que aumentem a pressão abdominal.

  • Rigidez e desconforto ao levantar-se ou retomar as atividades após o repouso.

A dor persistente ou recorrente não deve ser considerada normal durante o treinamento.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com a avaliação clínica, incluindo a história da lesão e o exame físico da região abdominal, da virilha, do púbis e do quadril.

Radiografias podem ajudar a investigar alterações ósseas, enquanto a ressonância magnética pode identificar lesões musculares, tendíneas e alterações ósseas associadas.

Em crianças e adolescentes, a avaliação deve considerar também lesões relacionadas ao crescimento, como avulsões ósseas, além de outras causas de dor no quadril e na pelve.

Como é feito o tratamento?

Na maioria dos casos, o tratamento inicial é conservador, com redução temporária das atividades que provocam dor e reabilitação progressiva.

Repouso relativo e controle da dor

Nas primeiras semanas, pode ser necessário suspender temporariamente os movimentos que sobrecarregam a região. A aplicação de gelo, protegendo a pele, pode ajudar no alívio dos sintomas.

Medicamentos devem ser utilizados somente com orientação médica, especialmente em crianças e adolescentes.

Fisioterapia

Após a fase inicial, a fisioterapia pode ajudar a recuperar a mobilidade, a força dos músculos abdominais e adutores e o controle da pelve. A progressão dos exercícios deve respeitar os sintomas e a evolução clínica.

Quando a cirurgia é necessária?

A cirurgia pode ser considerada em casos selecionados, quando a dor persiste apesar de um tratamento conservador adequado e existe uma lesão que justifique a intervenção. A indicação depende do diagnóstico e da avaliação especializada.

Quando é seguro voltar ao esporte?

O retorno deve ocorrer de forma gradual, após a recuperação da mobilidade e da força, com capacidade de correr, chutar e mudar de direção sem dor relevante.

O tempo de recuperação varia conforme a estrutura lesionada e a gravidade do quadro. Por isso, não existe um prazo único aplicável a todos os atletas.

Quando procurar um ortopedista pediátrico?

Se a criança ou o adolescente apresenta dor recorrente na virilha, no púbis ou na parte inferior do abdome durante a prática esportiva, é importante investigar a causa.

A avaliação especializada permite diferenciar a pubalgia atlética de outras lesões e definir um tratamento adequado, considerando as particularidades do esqueleto em crescimento.

O objetivo é tratar a lesão corretamente e favorecer um retorno seguro ao esporte, sem ignorar sintomas que podem indicar outras condições.

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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