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O Que Acontece Dentro da Cabeça de uma Criança na Hora de Retirar o gesso?

Criança e suas emoções ao tirar o gesso.

Imagem inspirada nos personagens do filme Divertidamente trazendo emoções que fazem parte da hora de retirar o gesso.
Imagem inspirada nos personagens do filme Divertidamente trazendo emoções que fazem parte da hora de retirar o gesso.

Depois de semanas convivendo com um gesso, chega um dos momentos mais aguardados do tratamento: a retirada da imobilização.

Mas, enquanto os adultos costumam pensar apenas que "o osso já consolidou", dentro da cabeça da criança acontece uma verdadeira reunião de emoções.

Quem já assistiu ao filme Divertida Mente sabe exatamente do que estamos falando. Ansiedade, Medo, Nojinho, Raiva, Tristeza e Alegria parecem disputar o controle ao mesmo tempo.

E a grande protagonista dessa história costuma ser... a serra do gesso!

Apesar da aparência e do barulho, ela é muito mais segura do que parece.

Criança com imobilização gessada axilopalmar aguardando sua retirada.

A Ansiedade pergunta: "Como será que vai ser?"

Personagem ansiedade representando a primeira emoção da retirada de gesso.

Antes mesmo de entrar no consultório, muitas crianças começam a imaginar como será a retirada do gesso.

Será que dói?

Quanto tempo demora?

Vai fazer cócegas?

O barulho assusta?

A Ansiedade cria mil perguntas antes mesmo de tudo começar.

Por isso, conversar com a criança e explicar cada etapa reduz bastante esse sentimento.


O Medo grita: "Essa serra vai cortar meu braço!"

Personagem medo trazendo sua colaboração para um momento que, muitas vezes, vem acompanhado de tensão.

Esse talvez seja o pensamento mais comum.

A criança olha para aquela máquina fazendo bastante barulho e imagina que ela funciona como uma serra de madeira.

Mas a realidade é completamente diferente.


A serra de gesso não corta a pele

A chamada serra oscilatória foi desenvolvida especificamente para retirar gessos.

Ela realiza movimentos muito rápidos de vibração para frente e para trás, e não gira como uma serra convencional.

Por isso, ela consegue cortar o gesso rígido, mas tende a não cortar tecidos moles, como a pele, quando utilizada corretamente por um profissional treinado.

O maior incômodo costuma ser justamente o barulho e a vibração.

Exemplo de serra de gesso utilizada para retirar imobilização.


A Nojinho pensa: "Ainda bem! Já estava fedido..."

Depois de algumas semanas, praticamente toda criança percebe que o gesso já não está tão agradável.

Personagem nojinho sempre atenta aos cheiros e aparências.

É comum haver:

  • suor;

  • descamação da pele;

  • coceira;

  • cheiro desagradável.

Nesse momento, o Nojinho costuma estar torcendo para que aquele "troço pesado e fedido" vá embora logo.

E ele tem razão: depois da retirada, uma boa higiene ajuda a pele a voltar ao normal.


A Raiva reclama: "Nem queria ter quebrado esse osso!"

A Raiva lembra que tudo começou por causa da fratura.

Ela pensa no campeonato perdido.

Na aula de dança.

Na piscina.

No futebol.

Nas brincadeiras interrompidas.

Ter usado o gesso foi necessário, mas ninguém queria precisar dele.

Felizmente, essa fase costuma passar rapidamente.


A Tristeza diz: "Até que eu já tinha acostumado..."

Personagem tristeza se prende ao sentimento de perda do gessinho.

Pode parecer estranho, mas algumas crianças realmente criam uma relação com o gesso.

Ele ganhou desenhos.

Recebeu assinaturas dos amigos.

Virou assunto na escola.

Serviu até como apoio para descansar o braço.

Depois de semanas, retirar o gesso também representa dizer adeus a uma fase importante do tratamento.


A Alegria comemora: "Finalmente! Meu ossinho já sarou!"

Personagem alegria geralmente aparece assumindo o controle no final da consulta.

Quando o gesso sai, a criança percebe que está cada vez mais perto de voltar às brincadeiras, aos esportes e à rotina.

É uma verdadeira sensação de liberdade.

Claro que, dependendo da lesão, ainda pode existir um período de adaptação ou fisioterapia.

Mas o mais difícil já ficou para trás.


Como eu ajudo as crianças a perderem o medo da serra do gesso?

Na consulta, sei que muitas crianças chegam apreensivas.

Por isso, antes de retirar o gesso, gosto de explicar exatamente como funciona a serra.

Mostro o equipamento.

Explico que ele foi feito especialmente para cortar o gesso.

E faço algo que costuma tranquilizar bastante os pequenos:

encosto a serra na minha própria mão.

Quando a criança vê que ela apenas vibra e não machuca minha pele, percebe que aquele barulho assustador não significa perigo.

Essa demonstração aumenta a confiança, reduz o medo e torna todo o processo muito mais tranquilo.


Os pais também têm um papel importante

A forma como os pais encaram esse momento influencia diretamente a criança.

Algumas atitudes ajudam muito:

  • evitar transmitir medo;

  • explicar que o barulho é normal;

  • não fazer brincadeiras dizendo que "vai cortar";

  • confiar na equipe médica;

  • permitir que a criança faça perguntas.

Quanto mais segurança os pais demonstram, mais tranquila a criança costuma ficar.


Depois que o gesso sai, o braço ou a perna ficam diferentes?

Sim, e isso costuma assustar um pouco.

É comum observar:

  • pele ressecada;

  • descamação;

  • presença de pelos mais aparentes;

  • redução temporária da massa muscular;

  • rigidez nas primeiras movimentações.

Tudo isso faz parte da recuperação e melhora progressivamente nas semanas seguintes.


Curiosidades …

  • Você sabia?

A serra utilizada para retirar gessos foi criada justamente para aumentar a segurança dos pacientes.

Ela corta materiais rígidos, como o gesso e a fibra de vidro, por meio de movimentos oscilatórios de pequena amplitude. Quando usada corretamente, não funciona como uma serra circular e é projetada para minimizar o risco de lesões na pele.

  • A serra de gesso pode cortar a pele?
Quando utilizada corretamente por um profissional treinado, ela é projetada para cortar o gesso, não a pele. O barulho costuma assustar mais do que o procedimento em si.
  • Tirar o gesso dói?
Na maioria das vezes, não. O que a criança sente é a vibração da serra e, às vezes, um leve aquecimento do material.
  • Por que a pele fica estranha depois?

Após semanas coberta pelo gesso, a pele acumula células mortas, fica ressecada e os músculos podem parecer menores. Isso é esperado e melhora com o tempo.

  • Meu filho pode movimentar o membro logo após retirar o gesso?
Depende do tipo de fratura e do tempo de imobilização. O ortopedista pediátrico orientará quando a criança poderá retornar às atividades normalmente.


Quer ver uma versão em vídeo com a Dra. Minnie Mari? É só clicar aqui.





Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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