Traumas e Lesões

Cuidados após fratura em crianças: o que fazer durante a recuperação, como cuidar do gesso e quando procurar o médico?

Cuidados após fratura infantil: gesso, recuperação e alertas.

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Uma fratura pode assustar toda a família.

Depois do atendimento inicial, muitas dúvidas aparecem:

“Pode mexer?”

“Como cuidar do gesso?”

“Pode tomar banho?”

“Quando pode voltar para a escola?”

“E para o esporte?”

A boa notícia é que as crianças geralmente apresentam uma excelente capacidade de recuperação após uma fratura.

Mas alguns cuidados são importantes para que o processo de consolidação aconteça adequadamente e para evitar complicações.

O que acontece depois de uma fratura?

Após o diagnóstico e o tratamento da fratura, o osso precisa de tempo para cicatrizar.

Dependendo do tipo de fratura, a criança pode precisar de:

  • Imobilização com gesso ou órtese;

  • Restrição de apoio;

  • Uso de muletas ou outros dispositivos;

  • Acompanhamento com radiografias;

  • Fisioterapia em situações específicas;

  • Tratamento cirúrgico em alguns casos.

O período de recuperação varia bastante.

Não existe um tempo único de recuperação para todas as fraturas infantis.

A idade da criança, o osso envolvido, o tipo de fratura e o tratamento realizado influenciam diretamente esse período.

Como cuidar do gesso?

Quando a criança está usando gesso, alguns cuidados são fundamentais.

Mantenha o gesso seco

O gesso deve ser protegido durante o banho.

A umidade pode comprometer o material e irritar a pele.

Além disso, não é recomendado introduzir objetos dentro do gesso para tentar coçar a pele.

A coceira pode acontecer durante a recuperação, mas colocar objetos dentro do gesso pode causar ferimentos e infecções.

Não corte ou altere o gesso em casa

Mesmo que o gesso pareça apertado, grande ou desconfortável, não deve ser cortado ou modificado pelos familiares.

Se houver desconforto importante, o ideal é entrar em contato com a equipe que acompanha a criança.

Evite colocar objetos dentro do gesso

Lápis, canetas, réguas e outros objetos não devem ser utilizados para coçar a pele.

Além de machucar, pequenas lesões podem passar despercebidas dentro do gesso.

Observe as extremidades dos dedos

Quando a criança está com o braço ou a perna imobilizados, observe regularmente os dedos.

É importante prestar atenção à:

  • Coloração;

  • Temperatura;

  • Sensibilidade;

  • Presença de inchaço;

  • Capacidade de movimentação.

Alterações importantes precisam ser avaliadas.

A criança pode apoiar o pé depois de uma fratura?

Depende.

Algumas fraturas permitem apoio precoce.

Outras precisam de restrição total ou parcial de carga durante determinado período.

Por isso, a orientação do ortopedista deve ser seguida exatamente.

Não é recomendado liberar o apoio por conta própria porque a criança parece estar sem dor.

A ausência de dor não significa necessariamente que o osso já esteja completamente consolidado.

E quando a fratura foi no braço?

Depois de uma fratura no braço, a criança pode precisar de algum tempo para recuperar completamente os movimentos.

É comum que, após a retirada do gesso, exista:

  • Rigidez;

  • Fraqueza;

  • Dificuldade para movimentar a articulação;

  • Sensibilidade;

  • Receio de usar o membro novamente.

Na maioria das crianças, os movimentos vão melhorando progressivamente.

Em alguns casos, o ortopedista pode recomendar fisioterapia.

Não force os movimentos

Depois da retirada do gesso, é importante respeitar os limites da criança.

Movimentos devem ser retomados gradualmente, conforme orientação médica.

Não é necessário tentar “destravar” a articulação à força.

Alimentação ajuda na recuperação da fratura?

Uma alimentação equilibrada faz parte de uma boa recuperação.

Durante o crescimento, a criança precisa de nutrientes suficientes para manter a saúde dos ossos.

Uma alimentação variada deve incluir fontes adequadas de:

  • Proteínas;

  • Cálcio;

  • Vitamina D;

  • Outros nutrientes importantes para o crescimento.

Não é necessário oferecer suplementos por conta própria.

Quando existe alguma deficiência nutricional ou situação clínica específica, o pediatra ou outro profissional responsável pode orientar a necessidade de suplementação.

Quando a criança pode voltar para a escola?

Em muitos casos, a criança pode retornar à escola antes da consolidação completa da fratura.

Mas isso depende do tipo de lesão e das atividades realizadas no ambiente escolar.

É importante avaliar:

  • Necessidade de subir escadas;

  • Distância percorrida;

  • Uso de transporte escolar;

  • Aulas de educação física;

  • Recreio;

  • Possibilidade de quedas ou colisões.

A escola pode precisar adaptar temporariamente algumas atividades.

E a educação física?

A liberação para atividades físicas deve ser individualizada.

Mesmo que a criança esteja se sentindo bem, o osso pode ainda estar em processo de consolidação.

Por isso, não é recomendado retornar a esportes de impacto apenas porque a dor desapareceu.

O retorno deve acontecer progressivamente e de acordo com a orientação do ortopedista pediátrico.

Quando a criança pode voltar aos esportes?

Essa é uma das principais dúvidas das famílias.

O retorno ao esporte depende de vários fatores:

  • Tipo de fratura;

  • Local da fratura;

  • Idade da criança;

  • Tratamento realizado;

  • Consolidação óssea;

  • Ausência de dor;

  • Recuperação dos movimentos;

  • Recuperação da força;

  • Tipo de esporte praticado.

Esportes com contato físico ou maior risco de queda geralmente exigem mais cautela.

O retorno deve ser gradual

A criança não precisa sair do gesso diretamente para uma atividade esportiva intensa.

O ideal é passar por etapas.

Primeiro, recuperar os movimentos.

Depois, recuperar força e confiança.

Em seguida, retomar atividades físicas progressivamente.

E, finalmente, retornar ao esporte habitual quando estiver liberada.

Quais sinais de alerta exigem avaliação médica?

Alguns sintomas durante a recuperação não devem ser ignorados.

Procure orientação médica se a criança apresentar:

  • Dor intensa ou que está piorando;

  • Inchaço importante;

  • Dedos muito arroxeados ou pálidos;

  • Dedos frios;

  • Dormência ou formigamento;

  • Incapacidade de movimentar os dedos;

  • Gesso muito apertado;

  • Gesso quebrado ou muito frouxo;

  • Mau cheiro ou secreção saindo do gesso;

  • Febre associada a outros sinais de infecção;

  • Nova queda ou trauma sobre o membro imobilizado.

Em situações de alteração importante da circulação ou sensibilidade do membro, a avaliação deve ser realizada rapidamente.

É preciso fazer acompanhamento depois da fratura?

Sim.

O acompanhamento permite avaliar a evolução da consolidação e verificar se o alinhamento do osso está adequado.

Dependendo da fratura, podem ser necessárias novas radiografias durante o tratamento.

Algumas fraturas pediátricas também precisam de acompanhamento mais prolongado para observar o crescimento do osso e das cartilagens de crescimento.

Isso é especialmente importante quando a fratura envolve uma fise, também conhecida como placa de crescimento.

A criança pode voltar a brincar normalmente?

Sim — mas no momento adequado.

Brincar faz parte da infância e também é importante para recuperar confiança e movimento depois de uma lesão.

O retorno, porém, deve acontecer progressivamente.

Enquanto houver restrição de apoio ou de atividades, é possível adaptar as brincadeiras para reduzir o risco de novas quedas e traumas.

Depois da liberação médica, a criança pode gradualmente recuperar sua rotina habitual.

Quanto tempo demora para uma fratura infantil cicatrizar?

Essa é uma pergunta para a qual não existe uma resposta única.

As crianças costumam apresentar consolidação óssea mais rápida do que os adultos, mas o tempo depende do tipo e da localização da fratura.

Além disso, consolidar o osso não significa necessariamente estar pronto para qualquer atividade física.

Mesmo depois de o osso estar consolidado, a criança pode precisar recuperar força, mobilidade e segurança para retornar completamente ao esporte.

A melhor recuperação é uma recuperação acompanhada

Depois de uma fratura, é normal que pais e crianças tenham pressa para voltar à rotina.

Mas cada etapa tem seu tempo.

Cuidar adequadamente da imobilização, respeitar as restrições de apoio, comparecer às consultas de acompanhamento e retornar às atividades de forma gradual são atitudes importantes para uma boa recuperação.

E existe uma regra simples:

se a criança está com dor, apresenta alguma alteração importante ou sofreu um novo trauma, não tente resolver tudo em casa.

Procure a equipe médica que acompanha a fratura.

Fratura passou. E agora?

A fratura é apenas uma etapa.

O objetivo do tratamento não é somente fazer o osso “colar”.

É permitir que a criança recupere movimento, força, confiança e volte com segurança para sua rotina, suas brincadeiras e seus esportes.

Com acompanhamento adequado e os cuidados certos, a grande maioria das crianças consegue superar essa fase e voltar a fazer aquilo que mais gosta: ser criança e brincar!

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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