Condições Ortopédicas

Escoliose Infantil: como identificar os primeiros sinais, quando procurar um ortopedista pediátrico e quais são os tratamentos

Escoliose infantil: sintomas, diagnóstico e tratamento.

Ortopedista pediátrica examinando a coluna de uma criança.

A escoliose é uma alteração da coluna vertebral que provoca uma curvatura lateral associada à rotação das vértebras. Embora muitas pessoas acreditem que seja apenas um "desvio na coluna", essa condição merece atenção porque pode evoluir durante o crescimento da criança ou do adolescente.

O diagnóstico precoce permite acompanhar a evolução da curva e indicar o tratamento mais adequado, evitando deformidades importantes e, em alguns casos, a necessidade de cirurgia.

Neste artigo, você entenderá como identificar os sinais da escoliose, quando procurar um especialista e quais são as opções de tratamento.

O que é escoliose?

A escoliose é definida como uma curvatura da coluna vertebral superior a 10 graus, medida pelo ângulo de Cobb na radiografia.

Além da curvatura lateral, existe uma rotação das vértebras, que pode provocar uma assimetria do tronco.

A doença pode surgir em diferentes fases da infância e adolescência.

Os principais tipos são:

  • Escoliose idiopática (a mais comum)

  • Escoliose congênita

  • Escoliose neuromuscular

  • Escoliose associada a síndromes genéticas

A escoliose idiopática representa cerca de 80% dos casos.

Quais são os primeiros sinais da escoliose?

Na maioria das vezes, a criança não sente dor.

Por isso, os pais costumam perceber alterações na postura antes de qualquer outro sintoma.

Observe se existe:

  • Um ombro mais alto que o outro;

  • Escápula ("asa") mais saliente;

  • Assimetria da cintura;

  • Quadris desalinhados;

  • Tronco inclinado para um lado;

  • Costelas mais proeminentes ao inclinar o corpo para frente.

Esses sinais justificam uma avaliação com um ortopedista pediátrico.

Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico começa com uma avaliação clínica completa.

Durante a consulta, realiza-se o Teste de Adams, no qual o paciente inclina o tronco para frente.

Esse exame permite identificar a chamada "giba", causada pela rotação das vértebras.

Quando há suspeita clínica, solicita-se radiografia panorâmica da coluna em posição ortostática.

Radiografia panorâmica de coluna  total em posição ortostática evidenciando escoliose.

Radiografia panorâmica de coluna total em posição ortostática evidenciando escoliose.

O exame permite medir:

  • Ângulo de Cobb;

  • Equilíbrio do tronco;

  • Rotação vertebral;

  • Grau de maturidade esquelética.

Essas informações orientam o tratamento.

Toda escoliose precisa de tratamento?

Não.

O tratamento depende de vários fatores:

-Idade da criança

Quanto mais crescimento ainda resta, maior é o risco de progressão da curva.

-Grau da curvatura

Curvas pequenas podem apenas ser acompanhadas.

Curvas moderadas podem necessitar de colete.

Curvas mais graves podem exigir cirurgia.

-Potencial de crescimento

O crescimento é um dos principais fatores considerados na decisão terapêutica.

Quais são os tratamentos da escoliose?

  • Observação

Indicada para curvas leves.

O paciente realiza consultas periódicas e novas radiografias conforme a fase do crescimento.

  • Fisioterapia

A fisioterapia não corrige a escoliose estrutural isoladamente, mas pode contribuir para:

  • melhora da postura;

  • fortalecimento muscular;

  • equilíbrio corporal;

  • alívio de desconfortos.

Métodos específicos, como o Schroth, podem ser indicados em alguns pacientes como complemento ao tratamento.

  • Colete ortopédico

O colete é indicado principalmente em crianças e adolescentes que ainda estão crescendo e apresentam curvas moderadas.

Seu objetivo é reduzir o risco de progressão da deformidade.

Quanto maior a adesão ao uso diário, melhores costumam ser os resultados.

  • Cirurgia

A cirurgia pode ser indicada quando:

  • a curva apresenta grande magnitude;

  • existe progressão apesar do tratamento;

  • há importante deformidade do tronco.

O objetivo é corrigir o alinhamento da coluna e impedir a progressão da doença.

Cada caso deve ser avaliado individualmente.

Escoliose causa dor?

Na maioria das crianças e adolescentes, a escoliose idiopática não provoca dor significativa.

Quando existe dor intensa, principalmente em crianças pequenas, é importante investigar outras causas associadas.

Existe prevenção?

Não existe uma forma conhecida de prevenir a escoliose idiopática.

Entretanto, o diagnóstico precoce é a melhor estratégia para evitar a progressão das curvas.

Os pais devem observar alterações na postura durante o crescimento, especialmente entre os 10 e os 16 anos.

Quando procurar um ortopedista pediátrico?

Procure avaliação especializada se notar:

  • diferença na altura dos ombros;

  • cintura assimétrica;

  • tronco inclinado;

  • giba nas costas;

  • histórico familiar de escoliose.

Quanto mais cedo o diagnóstico for realizado, maiores são as possibilidades de tratamento conservador.


Perguntas frequentes (FAQ)

— Escoliose tem cura?

A escoliose estrutural não "desaparece", mas pode ser controlada com acompanhamento adequado e, quando necessário, tratamento.

— Quem tem escoliose pode praticar esportes?

Sim. Na maioria dos casos, a atividade física é recomendada.

— O colete corrige totalmente a coluna?

O principal objetivo do colete é evitar a progressão da curva durante o crescimento.

— Quando a cirurgia é necessária?

Geralmente em curvas importantes ou progressivas, após avaliação individualizada.

— A escoliose pode piorar depois da adolescência?

Curvas maiores podem continuar evoluindo na vida adulta, motivo pelo qual o acompanhamento é importante em alguns casos.



Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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