Traumas e Lesões

Fratura na infância: quando é preciso operar? Entenda quando a cirurgia é indicada em crianças

Fratura infantil: quando a cirurgia é necessária?

Guia visual sobre a relação entre o uso de mochilas e a saúde da coluna em crianças e adolescentes.

"Meu filho quebrou um osso. Ele vai precisar de cirurgia?"

Essa é uma das primeiras perguntas que os pais fazem depois de uma fratura.

E a preocupação é completamente compreensível.

Mas existe uma informação importante:

A maioria das fraturas na infância não precisa de cirurgia.

Os ossos das crianças têm uma capacidade de remodelação muito maior do que os ossos dos adultos.

Por isso, algumas fraturas que parecem bastante assustadoras na radiografia podem ser tratadas apenas com imobilização e acompanhamento.

Por outro lado, existem situações em que o tratamento cirúrgico é a melhor opção para garantir um bom alinhamento, preservar o movimento da articulação ou evitar complicações.

Então, afinal: quando uma fratura infantil precisa ser operada?

Fratura na infância: quando é preciso operar?

A indicação de cirurgia não depende apenas de “o osso estar quebrado”.

O ortopedista pediátrico precisa analisar vários fatores, como:

  • qual osso foi fraturado;

  • idade da criança;

  • localização da fratura;

  • tipo de fratura;

  • grau de desvio;

  • estabilidade da fratura;

  • envolvimento da articulação;

  • presença de lesão da pele;

  • comprometimento de nervos ou vasos;

  • possibilidade de manter o osso alinhado com gesso;

  • capacidade de remodelação daquele osso.

Por isso, duas crianças com fraturas aparentemente parecidas podem receber tratamentos completamente diferentes.

Por que o osso da criança é diferente do adulto?

Uma das grandes vantagens da infância é a capacidade de crescimento e remodelação dos ossos.

À medida que a criança cresce, algumas deformidades residuais podem melhorar progressivamente.

Isso acontece principalmente em determinadas regiões dos ossos e depende da idade da criança, da localização da fratura e da proximidade com as placas de crescimento.

Mas toda fratura pode “se corrigir sozinha”?

Não.

Essa é uma ideia muito comum, mas perigosa.

A capacidade de remodelação não significa que qualquer fratura com desvio possa ser simplesmente observada.

Algumas deformidades podem não se corrigir adequadamente e podem comprometer a função ou o crescimento.

Por isso, cada fratura precisa ser avaliada individualmente.

Quais fraturas podem precisar de cirurgia?

1. Fratura muito desviada

Quando os fragmentos ósseos estão muito afastados ou desalinhados, pode ser necessário realizar uma redução para colocar o osso na posição adequada.

Em algumas situações, a redução pode ser feita sem cirurgia.

Em outras, é necessário realizar uma redução cirúrgica e estabilizar a fratura.

2. Fratura que não permanece alinhada

Às vezes, o médico consegue colocar o osso no lugar e fazer um bom gesso.

Mas, durante o acompanhamento, a fratura pode voltar a sair da posição.

Quando não é possível manter um alinhamento aceitável apenas com imobilização, a cirurgia pode ser indicada.

3. Fratura que envolve a articulação

Fraturas que atingem a superfície de uma articulação merecem atenção especial.

O objetivo é recuperar o melhor alinhamento articular possível.

Isso é especialmente importante porque uma alteração significativa na superfície da articulação pode favorecer problemas futuros.

Fraturas que atingem a placa de crescimento

As crianças possuem placas de crescimento, também chamadas de fises.

Elas são regiões responsáveis pelo crescimento longitudinal dos ossos.

Algumas fraturas podem atravessar essas estruturas.

Dependendo do tipo de fratura e do grau de deslocamento, pode ser necessário realizar uma redução cuidadosa e, em determinadas situações, estabilização cirúrgica.

4. Fratura exposta

Uma fratura é considerada exposta quando existe comunicação entre o foco da fratura e o ambiente externo através de uma lesão da pele.

É uma situação de urgência.

Além de tratar o osso, é necessário cuidar adequadamente da ferida e reduzir o risco de infecção.

Algumas fraturas expostas necessitam de tratamento cirúrgico.

5. Lesão de nervos ou vasos sanguíneos

Algumas fraturas podem comprimir ou lesar estruturas importantes próximas ao osso.

Se houver comprometimento da circulação sanguínea ou de estruturas nervosas, a avaliação e o tratamento precisam ser realizados rapidamente.

Em determinadas situações, isso pode exigir cirurgia.

6. Fraturas instáveis

Algumas fraturas apresentam maior tendência a perder o alinhamento.

Nesses casos, mesmo que inicialmente seja possível colocar o osso na posição adequada, pode ser necessário utilizar algum método de estabilização.

A cirurgia pode ser indicada para manter os fragmentos ósseos na posição correta durante a consolidação.

E se a criança tiver apenas um pequeno desvio?

Nem todo desvio precisa ser corrigido cirurgicamente.

Esse é justamente um dos pontos que tornam a ortopedia pediátrica diferente da ortopedia do adulto.

O médico considera a idade da criança, o osso envolvido, a região da fratura, o tipo de deformidade e o potencial de remodelação.

Um pequeno desvio que é aceitável em uma criança pequena pode não ser aceitável em um adolescente.

Por isso, não existe uma regra única para todas as fraturas.

Como é decidido se a criança precisa operar?

A decisão começa pela avaliação clínica.

Depois, são analisadas as radiografias e, quando necessário, outros exames de imagem.

O ortopedista pediátrico avalia:

A fratura

Onde está localizada?

É estável ou instável?

Existe desvio?

Envolve a articulação?

Atinge a placa de crescimento?

A criança

Qual é a idade?

Quanto ainda precisa crescer?

Existe alguma doença ou condição que possa interferir na consolidação?

Qual é o membro afetado?

A possibilidade de tratamento sem cirurgia

É possível obter um bom alinhamento com uma redução fechada?

É possível manter esse alinhamento com gesso ou outro tipo de imobilização?

Se a resposta for sim, muitas vezes a cirurgia pode ser evitada.

Toda cirurgia de fratura infantil coloca uma placa e parafusos?

Não.

Existem diferentes métodos de estabilização.

Dependendo da fratura e da idade da criança, podem ser utilizados:

  • fios metálicos;

  • hastes intramedulares flexíveis;

  • parafusos;

  • placas e parafusos;

  • outros dispositivos de fixação.

O método escolhido depende do tipo e da localização da fratura.

Em crianças, sempre que possível, o tratamento busca preservar as estruturas de crescimento e minimizar a agressão aos tecidos.

É possível evitar cirurgia depois que a criança já chegou ao hospital?

Em muitos casos, sim.

Algumas fraturas podem ser tratadas inicialmente com uma redução fechada, sem abrir o foco da fratura.

Depois, a criança permanece imobilizada e é acompanhada com novas radiografias.

Se o osso permanecer bem alinhado, a cirurgia pode não ser necessária.

Por isso, o acompanhamento após a fratura também é muito importante.

Uma fratura que estava bem posicionada inicialmente pode sofrer perda de redução durante o processo de consolidação.

Quanto tempo demora para uma fratura infantil cicatrizar?

De maneira geral, crianças tendem a consolidar fraturas mais rapidamente do que adultos.

Mas o tempo varia bastante conforme:

  • idade;

  • osso fraturado;

  • localização da fratura;

  • padrão da fratura;

  • tratamento realizado;

  • presença de outras lesões.

Por isso, não é possível determinar um prazo único para todas as crianças.

E mesmo quando o osso já está consolidado, o retorno completo às atividades esportivas pode precisar ser gradual.

Depois da cirurgia, a criança volta a praticar esportes?

Na maioria das situações, o objetivo do tratamento é permitir que a criança retorne às suas atividades habituais e aos esportes.

Mas o retorno deve acontecer no momento adequado.

Primeiro é necessário avaliar a consolidação da fratura, a recuperação dos movimentos, a força e a segurança para realizar aquela atividade.

O retorno precoce demais pode aumentar o risco de uma nova lesão.

O que os pais devem fazer depois de uma fratura?

Após o diagnóstico, siga as orientações da equipe médica.

É importante:

  • manter a imobilização conforme orientação;

  • comparecer às consultas de retorno;

  • realizar as radiografias solicitadas;

  • observar a coloração e a temperatura dos dedos;

  • prestar atenção a aumento importante da dor;

  • evitar retirar ou modificar o gesso por conta própria;

  • não liberar esportes antes da autorização médica.

Quando procurar atendimento imediatamente?

Depois de uma fratura, procure atendimento rapidamente se a criança apresentar:

  • dor intensa ou progressiva;

  • dedos muito frios, pálidos ou arroxeados;

  • dormência ou perda de sensibilidade;

  • dificuldade para movimentar os dedos;

  • aumento importante do inchaço;

  • gesso muito apertado;

  • ferida ou secreção;

  • febre associada a sinais de infecção;

  • piora importante do estado geral.

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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