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Fratura Supracondiliana do Úmero Distal em Crianças: sintomas, diagnóstico, tratamento e quando a cirurgia é necessária

Fratura supracondiliana do úmero em crianças

A fratura supracondiliana do úmero distal é a fratura mais comum do cotovelo na infância e uma das principais urgências da ortopedia pediátrica. Ela acontece, na maioria das vezes, após uma queda com a mão espalmada, principalmente durante brincadeiras, esportes ou em parques infantis.

Embora muitas crianças se recuperem completamente, esse tipo de fratura exige avaliação rápida, pois algumas lesões podem comprometer vasos sanguíneos, nervos e o alinhamento do cotovelo.

Neste artigo, você entenderá como reconhecer essa fratura, quando ela necessita de cirurgia e quais são os cuidados durante a recuperação.

Criança que caiu do parquinho, sendo examinada por suspeita de fratura do cotovelo.


O que é a fratura supracondiliana do úmero distal?

O úmero é o osso do braço e sua extremidade inferior forma parte da articulação do cotovelo.

A fratura supracondiliana ocorre logo acima dessa articulação, na região mais estreita do osso.

Ela é mais frequente em crianças entre 4 e 8 anos, pois nessa fase o osso ainda está em desenvolvimento e apresenta características que favorecem esse tipo de lesão.


Como essa fratura acontece?

Na maioria das vezes, a lesão ocorre após uma queda sobre a mão com o cotovelo estendido.

As situações mais comuns incluem:

  • quedas em playgrounds;

  • escorregadores;

  • camas elásticas;

  • bicicletas;

  • patinetes;

  • esportes.

Traumas de maior energia também podem causar essa lesão, embora sejam menos frequentes.


Quais são os sintomas?

Os sinais costumam aparecer imediatamente após o trauma.

Os principais sintomas são:

  • dor intensa no cotovelo;

  • inchaço importante;

  • incapacidade de movimentar o braço;

  • deformidade visível em alguns casos;

  • dificuldade para apoiar o membro.

Em algumas situações, a criança mantém o cotovelo imóvel junto ao corpo devido à dor.


Quando devo procurar atendimento imediatamente?

Toda criança com suspeita de fratura do cotovelo deve ser avaliada com urgência.

Procure atendimento imediatamente se houver:

  • deformidade evidente;

  • dor intensa;

  • aumento importante do inchaço;

  • dedos frios ou pálidos;

  • dificuldade para movimentar os dedos;

  • dormência ou formigamento na mão.

Esses sinais podem indicar comprometimento vascular ou neurológico e exigem tratamento rápido.


Como é feito o diagnóstico?

O diagnóstico é realizado por meio da história clínica, exame físico e radiografias do cotovelo.

Radiografias do cotovelo de uma criança com fratura supracondiliana do úmero distal. Imagens em AP e perfil .

Além de confirmar a fratura, o ortopedista pediátrico avalia cuidadosamente:

  • alinhamento ósseo;

  • deslocamento da fratura;

  • circulação da mão;

  • sensibilidade;

  • funcionamento dos nervos.

Essa avaliação é fundamental para definir a melhor estratégia de tratamento.


Como essa fratura é classificada?

A classificação mais utilizada é a Classificação de Gartland, que orienta o tratamento e é dividida em 4 tipos.


Quando a cirurgia é necessária?

Nem toda fratura supracondiliana precisa de cirurgia.

As fraturas sem desvio geralmente são tratadas apenas com imobilização.

Já as fraturas desviadas costumam necessitar de redução e estabilização.

O procedimento mais realizado é a:

Redução fechada e fixação percutânea com fios de Kirschner

O ortopedista reposiciona os fragmentos ósseos sem necessidade de uma grande incisão.

Em seguida, pequenos fios metálicos são inseridos para manter a fratura alinhada durante a cicatrização.

Fixação percutânea da fratura.


Após o procedimento, é realizada imobilização com gesso.

Essa técnica apresenta excelentes resultados quando realizada precocemente.


Quais complicações podem ocorrer?

Apesar do excelente prognóstico na maioria dos casos, algumas complicações podem acontecer.

Entre elas estão:

  • lesão da artéria braquial;

  • lesões dos nervos mediano, radial ou ulnar;

  • síndrome compartimental (situação rara, porém grave);

  • rigidez temporária do cotovelo;

  • deformidade em cúbito varo ("cotovelo em coronha"), principalmente quando a fratura consolida desalinhada.

O acompanhamento especializado reduz significativamente esses riscos.


Como é a recuperação?

Após a consolidação óssea, inicia-se gradualmente a recuperação dos movimentos.

Na maioria das crianças:

  • os fios são retirados entre 3 e 5 semanas;

  • o gesso permanece por aproximadamente 3 a 4 semanas;

  • os movimentos retornam progressivamente nas semanas seguintes.

Em muitos casos, a própria criança recupera a mobilidade espontaneamente, sem necessidade de fisioterapia.

Quando há limitação persistente, a reabilitação pode ser indicada.


A criança poderá voltar ao esporte?

Sim.

Após consolidação completa e recuperação da mobilidade, a maioria das crianças retorna às atividades sem limitações.

O tempo varia conforme a gravidade da fratura e o tratamento realizado, sendo geralmente entre 8 e 12 semanas para atividades esportivas.

A liberação deve sempre ser feita pelo ortopedista pediátrico.

Como prevenir esse tipo de fratura?

Embora nem todas as quedas possam ser evitadas, algumas medidas ajudam a reduzir o risco:

  • supervisão em playgrounds;

  • uso de equipamentos adequados para idade;

  • utilização de capacete em bicicletas e patinetes;

  • manutenção de pisos seguros em áreas de recreação.


Seu filho sofreu uma queda e está com dor, inchaço ou dificuldade para movimentar o cotovelo? Não espere os sintomas melhorarem sozinhos. A fratura supracondiliana do úmero distal exige avaliação rápida para evitar complicações e garantir o melhor tratamento. Agende uma consulta com uma ortopedista pediátrica ou procure atendimento de urgência em caso de suspeita de fratura.

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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