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Pé Torto Congênito: sintomas, diagnóstico, tratamento pelo Método de Ponseti e dúvidas frequentes dos pais

Pé torto congênito: diagnóstico e tratamento

Pé torto congênito bilateral
Pé torto congênito bilateral

Receber o diagnóstico de pé torto congênito logo após o nascimento costuma gerar muitas dúvidas e preocupação nas famílias. A boa notícia é que, quando tratado precocemente, a grande maioria das crianças apresenta excelente evolução, podendo caminhar, correr, brincar e praticar esportes normalmente.

Hoje, o tratamento padrão ouro é o Método de Ponseti, uma técnica pouco invasiva, altamente eficaz e utilizada em todo o mundo.

Neste artigo, você entenderá o que é o pé torto congênito, por que ele acontece, como é feito o tratamento e quais são os cuidados necessários para alcançar os melhores resultados.


O que é o pé torto congênito?

O pé torto congênito, também chamado de pé torto congênito idiopático (PTC), é uma deformidade presente desde o nascimento.

O pé apresenta quatro alterações principais:

  • equino (pé apontado para baixo);

  • varo (calcanhar voltado para dentro);

  • adução (antepé desviado para dentro);

  • cavo (arco plantar aumentado).

Essas alterações fazem com que o pé fique virado para dentro e para baixo.

Sem tratamento, a criança poderá apresentar dificuldade para caminhar e apoiar corretamente o pé.


O que causa o pé torto congênito?

Na maioria dos casos, a causa é desconhecida.

Sabe-se que existem fatores genéticos e ambientais envolvidos no desenvolvimento da deformidade, mas ela não é causada por erro durante a gestação nem pela posição do bebê dentro do útero.

O pé torto pode ocorrer:

  • em apenas um pé;

  • nos dois pés (cerca de metade dos casos).

É mais frequente em meninos.


O diagnóstico pode ser feito durante a gestação?

Sim.

Em muitos casos, o pé torto congênito pode ser identificado durante o ultrassom morfológico da gestação.

Quando isso acontece, os pais já podem ser orientados por um ortopedista pediátrico antes mesmo do nascimento, o que facilita o início precoce do tratamento.

Quando o diagnóstico não é feito no pré-natal, ele geralmente é identificado logo após o nascimento por meio do exame físico.


Quando o tratamento deve começar?

O ideal é iniciar o tratamento nas primeiras semanas de vida.

Quanto mais cedo ele começa, maior é a flexibilidade dos tecidos e mais fácil é corrigir a deformidade.

Entretanto, crianças que iniciam o tratamento mais tarde também podem apresentar excelentes resultados quando acompanhadas por uma equipe especializada.


O que é o Método de Ponseti?

O Método de Ponseti é considerado o tratamento padrão ouro para o pé torto congênito.

Ele consiste em correções graduais da deformidade por meio de manipulações delicadas e aplicação de gessos seriados.

A cada semana, o pé é reposicionado progressivamente até atingir o alinhamento adequado.

Na maioria das crianças são necessários entre 5 e 8 gessos, embora esse número possa variar.


Sequência de manipulações e gessos seriados pelo Método de Ponseti para o tratamento do pé torto congênito.

O bebê sempre precisa fazer cirurgia?

Na maioria dos casos, não.

Após a correção com os gessos, cerca de 80% a 95% dos pacientes necessitam apenas de uma pequena cirurgia chamada tenotomia percutânea do tendão de Aquiles.

Apesar do nome, trata-se de um procedimento rápido, minimamente invasivo e realizado para permitir a correção completa da posição do pé.

Cirurgias extensas são atualmente reservadas para situações específicas ou casos mais complexos.

Tenotomia percutânea - minimamente invasiva, do tendão de aquiles como parte do método de Ponseti.


Para que serve a órtese (botinhas com barra)?

Após o término dos gessos, inicia-se a fase mais importante do tratamento: a manutenção da correção.

A órtese de abdução, conhecida popularmente como "botinhas com barra", evita que o pé volte à posição original.

Órtese de Dennis Brown - utilizada para manutenção das correções obtidas durante as trocas gessadas.

O uso costuma seguir a seguinte orientação:

Primeiros meses

Uso por cerca de 23 horas por dia.

Após essa fase

Uso apenas durante o sono, geralmente até os 4 ou 5 anos de idade, conforme orientação médica.

Essa etapa é fundamental para reduzir o risco de recidiva.


O tratamento dói?

Essa é uma dúvida muito comum.

As manipulações realizadas durante o Método de Ponseti são delicadas e respeitam os limites do bebê.

A maioria das crianças adapta-se muito bem aos gessos e à órtese.

Os pais costumam ficar mais apreensivos do que os próprios bebês.


O que acontece se a órtese não for utilizada corretamente?

O uso inadequado da órtese é a principal causa de recidiva do pé torto congênito.

Quando ela não é utilizada conforme recomendado, aumenta significativamente o risco de que a deformidade retorne, podendo ser necessário reiniciar parte do tratamento.

Por isso, a participação da família é essencial para o sucesso terapêutico.


A criança poderá andar normalmente?

Sim.

Quando tratado adequadamente, o prognóstico é excelente.

A maioria das crianças consegue:

  • andar normalmente;

  • correr;

  • brincar;

  • praticar esportes;

  • utilizar calçados convencionais;

  • levar uma vida sem limitações.

O acompanhamento periódico garante que o desenvolvimento continue adequado ao longo do crescimento.


Quando procurar um ortopedista pediátrico?

A avaliação deve ser realizada:

  • após diagnóstico no ultrassom gestacional;

  • logo após o nascimento;

  • sempre que houver suspeita de deformidade nos pés;

  • caso exista retorno da deformidade após o tratamento.

O início precoce é um dos principais fatores associados ao sucesso do tratamento.


Seu bebê recebeu o diagnóstico de pé torto congênito durante a gestação ou após o nascimento? O tratamento precoce faz toda a diferença. Agende uma avaliação com uma ortopedista pediátrica para esclarecer suas dúvidas e iniciar o acompanhamento no momento ideal. Com o tratamento adequado, seu filho tem grandes chances de desenvolver-se com pés saudáveis e uma vida ativa.

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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