Condições Ortopédicas
Menisco discóide em crianças: entenda o que é.
Comparação entre menisco normal e menisco discóide no joelho.

Você já percebeu que o joelho de uma criança ou adolescente estala, faz “cliques” ou parece travar durante os movimentos?
Em alguns casos, esses sintomas podem estar relacionados ao menisco discóide, uma alteração na forma de um dos meniscos do joelho.
O que é o menisco?
O joelho possui dois meniscos: o menisco medial e o menisco lateral.
Eles são estruturas de fibrocartilagem localizadas entre o fêmur e a tíbia.
Os meniscos ajudam a:
distribuir as cargas no joelho;
absorver impactos;
melhorar a estabilidade da articulação;
facilitar a movimentação do joelho;
proteger a cartilagem articular.

Normalmente, o menisco apresenta um formato semelhante à letra “C”.
Quando essa estrutura apresenta um formato mais largo e arredondado, semelhante a um disco, chamamos de menisco discóide.
O que é o menisco discóide?
O menisco discóide é uma variação anatômica em que o menisco, geralmente o menisco lateral, apresenta um formato mais espesso e arredondado do que o habitual.
Ele pode ocupar uma área maior da superfície articular do joelho.

O menisco discóide está presente desde o desenvolvimento da criança. Portanto, não é causado por uma atividade física ou por algum movimento específico.
Além disso, ter um menisco discóide não significa necessariamente ter uma doença.
Muitas pessoas apresentam essa característica e nunca desenvolvem sintomas.
Menisco discóide é comum em crianças?
O menisco discóide ocorre principalmente no menisco lateral e apresenta maior frequência em algumas populações, especialmente em indivíduos de origem asiática.
A maioria dos casos é assintomática.
Por isso, o diagnóstico pode acontecer de forma incidental durante uma investigação por outro motivo ou quando a criança apresenta sintomas no joelho.
Quais são os sintomas do menisco discóide?

Os mais comuns incluem:
Estalos no joelho
Um dos sinais mais conhecidos é o estalido ou “clique” durante a movimentação do joelho.
Esse estalo pode aparecer principalmente durante movimentos de flexão e extensão.
É importante lembrar que nem todo joelho que estala possui um problema. Estalos isolados, sem dor ou outros sintomas, muitas vezes não indicam uma lesão.
Dor no joelho
Principalmente na região lateral do joelho, durante atividades físicas.
A dor pode aparecer após corridas, saltos, mudanças de direção ou outros movimentos que exigem maior esforço da articulação.
Inchaço
Pode haver episódios de derrame ou inchaço no joelho.
O inchaço pode surgir principalmente após atividades esportivas.
Sensação de travamento
A criança pode relatar que o joelho “trava” ou não consegue esticar completamente.
Esse sintoma merece atenção, principalmente quando é recorrente.
Dificuldade durante atividades esportivas
Crianças e adolescentes que praticam esportes podem perceber dor, estalos ou dificuldade para realizar determinados movimentos.
Esportes que envolvem corrida, saltos e mudanças rápidas de direção podem tornar os sintomas mais evidentes.
Por que o menisco discóide pode causar sintomas?
O formato alterado do menisco pode fazer com que ele apresente características biomecânicas diferentes de um menisco normal.
Além disso, alguns meniscos discóides possuem alterações em sua fixação, tornando-os mais móveis.
Com o tempo, isso pode favorecer o aparecimento de lesões do menisco, especialmente durante atividades que envolvem movimentos de rotação do joelho.
Por isso, uma criança pode permanecer completamente assintomática durante anos e começar a apresentar sintomas posteriormente.
Menisco discóide pode romper?
Sim.
O menisco discóide pode apresentar uma lesão meniscal, principalmente quando há alterações estruturais ou de estabilidade associadas.
A lesão pode acontecer após um trauma, durante uma atividade esportiva ou mesmo por movimentos cotidianos em alguns casos.
Como é feito o diagnóstico?
O diagnóstico começa com uma avaliação clínica detalhada.
Durante a consulta, o ortopedista pediátrico avalia a localização da dor, presença de estalos, episódios de travamento, histórico de trauma e prática esportiva.
O exame físico também é importante para identificar sinais de alterações meniscais e descartar outras causas de dor no joelho.
Radiografia
A radiografia pode ser solicitada em algumas situações, mas geralmente não é suficiente para diagnosticar diretamente o menisco discóide.
Ela pode ajudar na avaliação óssea e na investigação de outras alterações do joelho.
Ressonância magnética
A ressonância magnética do joelho é o principal exame de imagem utilizado para avaliar o menisco discóide.
Ela permite analisar:
formato do menisco;
espessura;
extensão da estrutura;
presença de lesões;
alterações associadas;
cartilagem e outras estruturas do joelho.

Entretanto, o resultado da ressonância deve sempre ser interpretado em conjunto com os sintomas e o exame físico.
Encontrar um menisco discóide na ressonância não significa, por si só, que a criança precise de cirurgia.
Todo menisco discóide precisa de tratamento?
Não.
Essa é uma das informações mais importantes para os pais.
Se a criança apresenta um menisco discóide sem sintomas, geralmente não há necessidade de tratamento cirúrgico.
A conduta depende principalmente da presença e da intensidade dos sintomas e da existência ou não de uma lesão associada.
Não há necessidade de realizar uma cirurgia apenas porque o menisco possui formato discóide.
Menisco discóide com sintomas leves
Dependendo do quadro, pode ser considerado inicialmente um tratamento conservador.
Ele pode envolver:
redução temporária de atividades que desencadeiam sintomas;
fisioterapia;
fortalecimento muscular;
recuperação da mobilidade;
retorno progressivo ao esporte.
A indicação deve ser individualizada.
Quando a cirurgia pode ser necessária?
A cirurgia pode ser considerada quando existe menisco discóide sintomático, especialmente na presença de lesão, travamento persistente ou sintomas que não melhoram com tratamento conservador.
Atualmente, quando a anatomia e a lesão permitem, busca-se preservar o máximo possível do tecido meniscal.
Em vez de simplesmente retirar todo o menisco, o tratamento cirúrgico geralmente procura remodelar o menisco para aproximá-lo de um formato mais funcional e tratar a lesão associada.
Em alguns casos, também pode ser necessária a estabilização do menisco, dependendo de sua mobilidade e das estruturas de fixação.

A cirurgia de menisco discóide remove o menisco inteiro?
Na maioria dos casos, a tendência atual é preservar o tecido meniscal sempre que possível.
Isso é particularmente importante em crianças e adolescentes.
Os meniscos desempenham um papel importante na proteção da cartilagem do joelho. A remoção excessiva de tecido meniscal pode aumentar a sobrecarga articular ao longo do tempo.
Por isso, quando a cirurgia é indicada, o objetivo costuma ser preservar o máximo de menisco saudável, tratando apenas as áreas comprometidas.
Criança com menisco discóide pode praticar esportes?
Em muitos casos, sim.
Ter um menisco discóide não significa automaticamente que a criança precise parar de praticar esportes.
Se o menisco for assintomático e não houver uma lesão que contraindique a atividade, a criança pode permanecer ativa normalmente.
Por outro lado, quando existem dor, inchaço, travamento ou uma lesão meniscal, pode ser necessário adaptar temporariamente as atividades até que o quadro seja adequadamente avaliado e tratado.
Quando procurar um ortopedista pediátrico?
É importante procurar avaliação médica quando a criança ou adolescente apresenta:
dor persistente no joelho;
episódios recorrentes de inchaço;
estalos acompanhados de dor;
sensação de travamento;
dificuldade para esticar ou dobrar o joelho;
sintomas que aparecem repetidamente durante o esporte;
queda de desempenho esportivo por dor ou limitação.
Quanto mais cedo a causa dos sintomas for identificada, mais adequada poderá ser a orientação sobre atividade física e tratamento.
Perguntas frequentes sobre menisco discóide
Menisco discóide é uma doença?
Não necessariamente. É uma variação na anatomia do menisco. Ela pode permanecer assintomática durante toda a vida.
Joelho que estala significa menisco discóide?
Não. Estalos podem ter diversas causas e, quando aparecem isoladamente e sem dor, muitas vezes não representam um problema.
Menisco discóide precisa de cirurgia?
Não. A cirurgia geralmente é reservada para casos sintomáticos, especialmente quando existe uma lesão ou bloqueio do joelho.
Criança com menisco discóide pode jogar futebol?
Em muitos casos, sim. A prática esportiva depende da presença de sintomas, lesões associadas e avaliação individual da criança.
Menisco discóide pode causar artrose?
Um menisco discóide sintomático ou lesionado pode estar associado a alterações degenerativas do joelho, especialmente quando há perda significativa de tecido meniscal. Por isso, quando a cirurgia é necessária, a preservação meniscal é uma preocupação importante.
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