Condições Ortopédicas

Osteocondroma em crianças: o que é, quando se preocupar e quando é preciso operar?

Osteocondroma infantil: sintomas e tratamento.

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Ao ouvir que seu filho tem um “tumor no osso”, é natural que os pais fiquem preocupados.

Mas, quando o diagnóstico é osteocondroma, a primeira informação importante é: na grande maioria dos casos, trata-se de uma lesão óssea benigna.

O osteocondroma é uma projeção de osso recoberta por cartilagem que costuma surgir próxima às regiões de crescimento dos ossos longos.

Muitas crianças não apresentam nenhum sintoma e descobrem a lesão por acaso durante uma radiografia.

O que é um osteocondroma?

O osteocondroma é uma exostose óssea benigna, que pode apresentar formato:

  • pediculado, com uma base estreita;

  • séssil, com uma base mais larga.

Uma característica típica é a continuidade entre o osso e o osteocondroma, identificada principalmente nas radiografias.

Ele costuma aparecer em ossos como fêmur, tíbia e úmero, especialmente próximo às regiões de crescimento.

Imagem mostrando localizações do osteocondroma.

Quais são os sintomas?

A maioria dos osteocondromas é assintomática.

Imagem esquemática sobre sintomas do osteocondroma infantil

Quando existem sintomas, eles podem incluir:

Caroço ou saliência

Os pais podem perceber uma estrutura dura próxima ao joelho, braço ou outra região.

Dor

Pode ocorrer por atrito ou compressão de músculos, tendões ou outras estruturas próximas.

Limitação de movimento

Dependendo da localização, o osteocondroma pode interferir no movimento de uma articulação.

Compressão de nervos ou vasos

É menos comum, mas pode causar sintomas como formigamento, alteração da sensibilidade ou alterações circulatórias.

Osteocondroma cresce junto com a criança?

Pode crescer durante o período de crescimento ósseo.

Em geral, o crescimento da lesão acompanha o crescimento do esqueleto e tende a parar quando a criança atinge a maturidade esquelética.

Por isso, uma lesão aumentar de tamanho durante a infância não significa necessariamente que ela esteja se tornando maligna.

Como é feito o diagnóstico?

A radiografia geralmente é o principal exame para diagnosticar o osteocondroma.

Radiografia evidenciando osteocondroma em punho

A ressonância magnética pode ser solicitada quando é necessário avaliar melhor a capa de cartilagem, estruturas próximas ou sintomas que não estejam bem explicados pela radiografia.

O diagnóstico deve sempre considerar a história clínica e o exame físico.

Todo osteocondroma precisa de cirurgia?

Não.

Quando a lesão é típica, pequena e não causa sintomas, geralmente a conduta é observação e acompanhamento.

A cirurgia pode ser indicada quando o osteocondroma provoca:

  • dor persistente;

  • limitação de movimento;

  • compressão de nervos ou vasos;

  • irritação de tendões;

  • deformidade;

  • crescimento ou características consideradas atípicas.

Quando a retirada é necessária, o objetivo é remover a lesão preservando as estruturas saudáveis ao redor.

E quando existem vários osteocondromas?

Quando a criança apresenta múltiplas lesões, é importante investigar a possibilidade de exostose múltipla hereditária.

Essa condição pode ser acompanhada de:

  • múltiplos osteocondromas;

  • deformidades dos membros;

  • alterações do alinhamento;

  • diferenças no comprimento dos membros;

  • histórico familiar.

Nesses casos, o acompanhamento ortopédico durante o crescimento é especialmente importante.

Osteocondroma pode virar câncer?

A transformação maligna de um osteocondroma solitário é rara.

O risco é maior nos pacientes com exostose múltipla hereditária, embora continue sendo uma complicação incomum.

Alguns sinais merecem investigação, principalmente após a maturidade esquelética:

  • dor nova e persistente;

  • crescimento inesperado da lesão;

  • mudança no comportamento da lesão.

Esses sinais não significam necessariamente câncer, mas precisam ser avaliados.

Criança com osteocondroma pode praticar esportes?

Na maioria dos casos, sim.

Um osteocondroma assintomático não significa que a criança precise parar de brincar ou praticar esportes.

A atividade pode precisar ser adaptada quando existe dor, limitação de movimento, risco de trauma sobre a lesão ou deformidade associada.

Quando procurar um ortopedista pediátrico?

É importante procurar avaliação quando os pais percebem:

  • um caroço duro no osso;

  • dor persistente;

  • aumento da saliência;

  • limitação de movimento;

  • deformidade;

  • múltiplas saliências ósseas;

  • alteração no alinhamento dos membros.

O acompanhamento é importante não apenas para observar a lesão, mas também para avaliar o crescimento e o alinhamento dos membros da criança.

Conclusão

O osteocondroma em crianças é, na maioria das vezes, uma lesão óssea benigna que pode ser apenas acompanhada.

Nem todo osteocondroma precisa de cirurgia.

A indicação de tratamento depende principalmente de sintomas, localização, tamanho, alterações associadas e evolução durante o crescimento.

Quando existem múltiplas lesões, também é importante investigar a possibilidade de exostose múltipla hereditária.

E, apesar de a transformação maligna ser rara, qualquer mudança inesperada na lesão deve ser avaliada.

Percebeu um “carocinho” no osso do seu filho? Não precisa entrar em pânico. Mas vale investigar para saber exatamente o que é e acompanhar seu desenvolvimento.

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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