Minnie Mari

Pedro Pônei quebrou a perna! Conheça as principais fraturas da tíbia e da fíbula em crianças.

Fraturas da tíbia e fíbula em crianças.

Guia visual sobre a relação entre o uso de mochilas e a saúde da coluna em crianças e adolescentes.

Quem já assistiu à Peppa Pig provavelmente conhece o Pedro Pônei.

Em uma das histórias, ele aparece com a perna quebrada e precisa usar gesso durante sua recuperação.

Na vida real, porém, quando uma criança “quebra a perna”, existem diferentes tipos de fraturas.

Entre elas estão algumas lesões bastante características da infância, que envolvem principalmente a tíbia e a fíbula.

Duas situações merecem destaque: a toddler fracture, típica de crianças pequenas que estão começando a andar, e a fratura proximal da tíbia, que pode evoluir com o chamado fenômeno de Cozen.

Tíbia e fíbula: quais são esses ossos?

A tíbia e a fíbula são os dois ossos localizados entre o joelho e o tornozelo.

A tíbia é o osso maior e suporta a maior parte da carga do membro inferior.

A fíbula é mais fina e está localizada lateralmente à tíbia.

As fraturas podem envolver apenas a tíbia, apenas a fíbula ou os dois ossos.

Na infância, algumas fraturas apresentam características próprias do esqueleto em crescimento e, por isso, merecem uma avaliação específica.

Quais são as principais fraturas da tíbia e da fíbula em crianças?

Entre as fraturas mais importantes podemos destacar:

  • toddler fracture;

  • fraturas da diáfise da tíbia;

  • fraturas da tíbia e da fíbula;

  • fraturas proximais da tíbia;

  • fraturas envolvendo a cartilagem de crescimento.

Vamos conhecer algumas delas.

Toddler fracture: a fratura da criança que começa a andar

A toddler fracture é uma fratura característica de crianças pequenas, geralmente na faixa etária em que estão começando a andar ou já caminham há pouco tempo.

Ela costuma ocorrer na diáfise distal da tíbia, geralmente como consequência de um mecanismo de torção de baixa energia.

Pode acontecer, por exemplo, durante uma queda enquanto a criança está correndo ou brincando.

Como a criança costuma se apresentar?

Uma característica muito importante é que nem sempre existe uma deformidade evidente.

Na prática, os pais podem perceber simplesmente que:

“Meu filho não quer mais andar.”

Ou:

“Ele começou a mancar depois de cair.”

A criança pode apresentar:

  • dor na perna;

  • recusa em apoiar o membro;

  • marcha claudicante;

  • irritabilidade;

  • sensibilidade localizada na tíbia.

Em algumas situações, o diagnóstico pode ser difícil inicialmente.

A radiografia pode não mostrar a fratura?

Sim.

Esse é um ponto importante da toddler fracture.

A fratura pode ser sutil ou não estar claramente visível na radiografia inicial.

Dependendo da avaliação clínica, pode ser necessário acompanhamento e, em algumas situações, repetir o exame posteriormente.

Por isso, uma radiografia inicial sem alterações evidentes não necessariamente exclui a possibilidade de uma fratura quando a história e o exame físico são sugestivos.

Fratura proximal da tíbia

As fraturas da região proximal da tíbia são menos comuns do que as fraturas diafisárias, mas apresentam uma característica muito importante na ortopedia pediátrica.

Em algumas crianças, especialmente após uma fratura proximal da tíbia, pode ocorrer uma alteração progressiva do alinhamento do joelho durante o crescimento.

Esse fenômeno é conhecido como:

Fenômeno de Cozen

O fenômeno de Cozen é o desenvolvimento de um genu valgo progressivo após determinadas fraturas proximais da tíbia em crianças.

Ou seja, inicialmente a criança pode apresentar uma fratura relativamente bem alinhada, mas, durante os meses seguintes, o joelho pode começar a ficar progressivamente mais “para dentro”.

Por que isso acontece?

O mecanismo exato do fenômeno de Cozen não é completamente estabelecido.

Ele pode estar relacionado a alterações no crescimento e na distribuição das forças ao redor da região proximal da tíbia após a fratura.

Por isso, o acompanhamento após a fratura é muito importante.

A criança precisa operar?

Não necessariamente.

Uma das características do fenômeno de Cozen é que o genu valgo pode, em muitos casos, apresentar melhora espontânea durante o crescimento.

Por isso, nem toda criança que desenvolve esse desalinhamento após uma fratura proximal da tíbia precisa de cirurgia.

A decisão depende da evolução do alinhamento, da idade da criança e da magnitude da deformidade.

Fraturas da diáfise da tíbia

A diáfise corresponde à parte mais longa e central do osso.

As fraturas nessa região podem acontecer após:

  • quedas;

  • traumas esportivos;

  • acidentes;

  • mecanismos de torção.

Podem envolver somente a tíbia ou estar associadas a uma fratura da fíbula.

O tratamento depende principalmente de:

  • idade da criança;

  • localização da fratura;

  • padrão do traço;

  • grau de desvio;

  • estabilidade;

  • capacidade de manter o alinhamento.

Fratura da tíbia pode ser tratada sem cirurgia?

Sim.

Muitas fraturas da tíbia em crianças podem ser tratadas de maneira conservadora.

Dependendo do caso, pode ser utilizada uma imobilização com gesso ou outro tipo de imobilização.

O acompanhamento é importante para verificar se o alinhamento permanece adequado durante a consolidação.

Em algumas situações, entretanto, a cirurgia pode ser necessária.

Isso pode acontecer, por exemplo, em fraturas instáveis, muito desviadas, expostas ou que não conseguem manter um alinhamento adequado.

E a fíbula?

A fíbula pode sofrer fratura isoladamente ou junto com a tíbia.

Quando existe uma fratura dos dois ossos, a avaliação deve considerar o alinhamento e a estabilidade de todo o segmento.

Uma fratura isolada da fíbula, por outro lado, pode apresentar comportamento diferente.

Mais uma vez, o diagnóstico não depende apenas do osso que quebrou, mas também do local e do padrão da fratura.

Meu filho está mancando, mas não caiu. Pode ser fratura?

Uma fratura geralmente está relacionada a algum mecanismo de trauma, mas nem sempre os pais conseguem identificar exatamente quando aconteceu.

Se uma criança passa a mancar repentinamente ou se recusa a apoiar a perna, é importante investigar.

Além de fraturas, existem outras causas de claudicação na infância.

Por isso, mancar sem causa aparente também merece avaliação médica quando é persistente ou associado a dor.

Toda fratura da tíbia precisa de gesso?

Não.

O tratamento depende do tipo de fratura.

Pode incluir:

  • observação;

  • restrição temporária de atividades;

  • imobilização;

  • redução da fratura;

  • acompanhamento radiográfico;

  • cirurgia em situações específicas.

O tratamento deve ser individualizado de acordo com a idade e as características da fratura.

Quando procurar um ortopedista pediátrico?

Após um trauma, procure avaliação quando a criança apresentar:

  • dor importante;

  • incapacidade ou dificuldade para caminhar;

  • inchaço;

  • deformidade;

  • dor persistente;

  • recusa em apoiar a perna;

  • piora dos sintomas.

E mesmo quando a radiografia inicial não mostra uma fratura claramente, uma avaliação especializada pode ser necessária se os sintomas forem compatíveis com uma toddler fracture.

O que podemos aprender com o Pedro Pônei?

Quando uma criança quebra a perna, não existe uma única “fratura de perna”.

Pode ser uma fratura da tíbia, da fíbula ou de ambas.

E a localização faz toda a diferença.

Uma criança pequena que para de andar depois de uma queda pode ter uma toddler fracture.

Já uma criança que sofreu uma fratura proximal da tíbia pode precisar de acompanhamento durante o crescimento pelo risco de desenvolver o fenômeno de Cozen.

Por isso, o acompanhamento adequado é tão importante quanto o tratamento inicial.

Dra. Mariana Lobo

Ortopedia e Traumatologia Infantil

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CRM 244545/SP | RQE 122612

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