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Primeiros passos do bebê: quando a criança começa a andar, o que é normal e quando procurar um ortopedista pediátrico?
Primeiros passos: quando o bebê começa a andar e quando se preocupar.

Os primeiros passos são um dos momentos mais esperados pelos pais.
É comum surgir a dúvida: “Meu filho já deveria estar andando?”
A verdade é que não existe uma idade exata para todas as crianças começarem a andar. O desenvolvimento motor apresenta uma variação normal bastante ampla.
De maneira geral, muitos bebês começam a dar seus primeiros passos entre 9 e 15 meses. Alguns caminham um pouco antes, enquanto outros precisam de mais tempo para adquirir segurança e equilíbrio.
Por isso, mais importante do que comparar uma criança com outra é observar como o desenvolvimento motor está acontecendo ao longo do tempo.
Como acontece o desenvolvimento até os primeiros passos?
Aprender a andar é um processo gradual.
Antes de caminhar de forma independente, o bebê costuma passar por diferentes etapas.
Sentar e explorar o ambiente

O bebê desenvolve progressivamente o controle do tronco e passa a explorar o ambiente com maior independência.
Essa fase é importante para o desenvolvimento do equilíbrio e da coordenação.
Engatinhar e se movimentar

Nem todas as crianças engatinham da mesma maneira — e algumas sequer passam pelo engatinhar clássico.
O importante é que exista progressão das habilidades motoras e que a criança consiga explorar o ambiente de forma cada vez mais independente.
Ficar em pé com apoio

Em determinado momento, o bebê começa a puxar-se para ficar de pé, apoiando-se nos móveis ou nas pessoas.
É comum que ele permaneça alguns segundos em pé e, depois, volte a sentar.
Andar segurando nos móveis

Depois, surge a chamada marcha lateral ou “cruising”, quando a criança se desloca segurando nos móveis.
Essa etapa ajuda a desenvolver equilíbrio, força e confiança para a marcha independente.
Soltar as mãos e dar os primeiros passos
Finalmente, chega o momento tão esperado: a criança solta o apoio e dá alguns passos sozinha.
No início, é comum que a marcha seja bastante instável.
A criança pode caminhar com os braços elevados, manter as pernas mais afastadas e dar passos curtos.
Isso faz parte do processo de aquisição do equilíbrio.
Como é a marcha de uma criança que está começando a andar?
A marcha inicial é diferente da marcha de uma criança maior ou de um adulto.
Nos primeiros meses, é esperado que a criança apresente:
Base de apoio mais ampla;
Passos curtos;
Maior movimentação dos braços;
Maior dificuldade para mudar de direção;
Quedas frequentes;
Dificuldade para parar de forma controlada;
Marcha ainda pouco coordenada.

Com o desenvolvimento neuromotor, a marcha vai ficando progressivamente mais estável e eficiente.
Portanto, uma criança que acabou de aprender a andar não precisa caminhar como um adulto.
Quando devo me preocupar com os primeiros passos?
A maioria das crianças que apresenta uma evolução progressiva do desenvolvimento motor não possui nenhum problema ortopédico.
Ainda assim, alguns sinais merecem atenção.
A criança não demonstra progressão motora
Mais importante do que uma idade isolada é perceber se a criança está adquirindo novas habilidades ao longo do tempo.
Quando existe uma interrupção ou ausência de progressão, é importante conversar com o pediatra.
A criança não anda de forma independente até os 18 meses
A ausência de marcha independente aos 18 meses merece uma avaliação clínica.
Isso não significa, necessariamente, que exista um problema ortopédico.
O atraso pode estar relacionado a diferentes aspectos do desenvolvimento e, por isso, a avaliação deve ser individualizada.
A criança apresenta muita diferença entre os lados
Observe se a criança utiliza claramente uma perna de maneira diferente da outra.
Por exemplo:
Arrasta uma das pernas;
Evita apoiar um dos lados;
Cai sempre para o mesmo lado;
Demonstra dificuldade importante para movimentar uma perna;
Apresenta uma marcha muito assimétrica.
Uma assimetria persistente deve ser investigada.
Há dor ao andar
Dor não é esperada como parte normal do aprendizado da marcha.
Se a criança demonstra dor para ficar em pé, caminhar ou apoiar uma das pernas, é importante procurar avaliação médica.
A criança perde habilidades que já havia adquirido
A perda de uma habilidade motora previamente adquirida é um sinal de alerta.
Nessa situação, a criança deve ser avaliada prontamente pelo pediatra e, quando indicado, por especialistas envolvidos no desenvolvimento infantil.
E se o bebê andar na ponta dos pés?

Nos primeiros meses após começar a andar, pode acontecer de a criança andar algumas vezes na ponta dos pés.
Isso pode fazer parte da fase de adaptação à marcha.
Entretanto, se o andar na ponta dos pés for persistente, principalmente se ocorrer na maior parte do tempo, se houver dificuldade para colocar o calcanhar no chão ou se existir diferença entre os lados, é recomendável realizar uma avaliação.
O objetivo é entender se existe alguma alteração musculoesquelética ou neurológica associada.
É preciso usar algum tipo de sapato para o bebê aprender a andar?
Em ambientes seguros, a criança pode ter contato com diferentes superfícies e, quando apropriado, ficar descalça.
Isso permite que ela receba estímulos sensoriais dos pés enquanto desenvolve equilíbrio e coordenação.
Quando for necessário utilizar calçados, o ideal é priorizar modelos confortáveis, flexíveis e adequados ao tamanho dos pés.
O sapato não ensina a criança a andar.
O desenvolvimento da marcha acontece principalmente por meio da maturação neuromotora e da prática natural dos movimentos.
Os pais devem colocar o bebê para andar?
Não é necessário “ensinar” uma criança a andar segurando-a pelas mãos durante longos períodos.
O melhor estímulo costuma ser proporcionar um ambiente seguro para que ela possa:
Brincar no chão;
Mudar de posição;
Ficar em pé com apoio;
Deslocar-se pelos móveis;
Explorar diferentes movimentos;
Desenvolver equilíbrio e coordenação espontaneamente.
O bebê deve ter oportunidades para se movimentar, mas sem ser pressionado a atingir uma etapa antes de estar preparado.
Quando procurar um ortopedista pediátrico?
A avaliação com um ortopedista pediátrico pode ser indicada quando existem alterações persistentes na marcha ou dúvidas relacionadas ao desenvolvimento musculoesquelético.
Alguns sinais que merecem atenção incluem:
Ausência de marcha independente aos 18 meses;
Assimetria persistente ao caminhar;
Dor;
Recusa ou dificuldade para apoiar uma das pernas;
Quedas excessivas associadas a outros sinais;
Rigidez ou flacidez muito acentuada;
Deformidades aparentes nos pés ou pernas;
Marcha persistentemente na ponta dos pés;
Perda de habilidades motoras já adquiridas.
A avaliação não deve ser baseada apenas na idade em que a criança começou a andar.
É importante observar o desenvolvimento como um todo, o exame físico, a evolução ao longo do tempo e os demais marcos motores.
Cada criança tem seu próprio ritmo
Os primeiros passos são uma conquista importante, mas também são uma fase de muitas dúvidas para os pais.
Uma criança pode começar a andar aos 10 meses e outra aos 15 meses, e ambas podem estar dentro da normalidade.
Mais importante do que a comparação com outras crianças é observar se existe progressão do desenvolvimento motor, aquisição gradual de novas habilidades e uma marcha que vai se tornando mais segura com o tempo.
Se houver alguma dúvida ou sinal de alerta, a avaliação individualizada é a melhor maneira de entender o desenvolvimento daquela criança.
Cada passo faz parte de uma grande conquista — e cada criança tem o seu próprio ritmo.
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