Crescimento / Esportes
Seu flho vai esquiar? Conheça as principais lesões no esqui e como preveni-las.
Lesões no esqui: como proteger crianças e adolescentes

O esqui é um esporte divertido, desafiador e uma excelente oportunidade para crianças e adolescentes desenvolverem equilíbrio, coordenação e condicionamento físico.
Mas, como qualquer esporte que envolve velocidade, mudanças de direção e quedas, o esqui também pode causar lesões.
Em crianças e adolescentes, existe ainda um cuidado especial: os ossos ainda estão em crescimento, e algumas lesões podem envolver as cartilagens de crescimento.
Por isso, conhecer os principais tipos de lesões no esqui e saber como preveni-las é importante para que a experiência seja segura e prazerosa.
Quais são as principais lesões no esqui?
As lesões podem variar de acordo com a idade, nível de experiência, velocidade, tipo de equipamento e mecanismo da queda.
Entre as mais comuns estão:
lesões do joelho;
lesões ligamentares;
fraturas;
lesões do polegar;
lesões do punho;
entorses;
traumatismos cranianos.
Nos adolescentes, as lesões ligamentares do joelho ganham especial importância.
Nas crianças menores, devemos estar atentos também às lesões envolvendo as cartilagens de crescimento.
Lesões no joelho durante o esqui
O joelho é uma das articulações mais exigidas durante a prática do esqui.
A combinação de velocidade, rotação e mudanças bruscas de direção pode provocar diferentes tipos de lesão.
Lesão do ligamento cruzado anterior (LCA)
A lesão do ligamento cruzado anterior (LCA) pode acontecer quando o joelho sofre uma rotação associada a uma força importante.
No esqui, um dos mecanismos clássicos ocorre quando o esqui permanece preso à neve enquanto o corpo continua girando.
Pode haver:
dor intensa;
sensação de estalo;
inchaço rápido;
dificuldade para apoiar a perna;
sensação de instabilidade.
Em crianças e adolescentes, uma suspeita de lesão do LCA merece avaliação especializada.

Lesão do ligamento colateral medial
O ligamento colateral medial (LCM) também pode sofrer lesões durante o esqui.
Ele está localizado na parte interna do joelho e pode ser lesionado quando ocorre uma força que leva o joelho para uma posição inadequada.
A dor costuma estar localizada na região interna do joelho.
Dependendo da gravidade, o tratamento pode envolver repouso relativo, fisioterapia e retorno progressivo às atividades.
Fraturas durante o esqui
As quedas podem causar fraturas, especialmente quando acontecem em alta velocidade.
Em crianças, a avaliação deve considerar não apenas o osso, mas também a possibilidade de envolvimento da cartilagem de crescimento.
Por que a cartilagem de crescimento é importante?
As cartilagens de crescimento, também chamadas de fises, são regiões localizadas próximas às extremidades dos ossos de crianças e adolescentes.
Elas são responsáveis pelo crescimento ósseo.
Por isso, algumas fraturas pediátricas exigem acompanhamento mais cuidadoso do que lesões semelhantes em adultos.
“Polegar do esquiador”: uma lesão típica do esporte

Uma lesão bastante conhecida entre praticantes de esportes de neve é o chamado “polegar do esquiador”.
Ela pode acontecer quando a pessoa cai segurando o bastão de esqui.
O bastão pode provocar uma força que leva o polegar para uma posição exagerada, lesionando o ligamento colateral ulnar da articulação metacarpofalângica.
Os sintomas podem incluir:
dor na base do polegar;
inchaço;
dificuldade para movimentar o dedo;
dificuldade para segurar objetos.
Apesar de parecer uma lesão pequena, é importante avaliá-la adequadamente.
Algumas lesões ligamentares do polegar podem precisar de tratamento específico.
Lesões no punho
As quedas são uma das principais situações responsáveis por lesões do punho.
É comum que a criança tente colocar as mãos no chão para se proteger durante a queda.

Dependendo da intensidade do trauma, podem ocorrer:
contusões;
entorses;
fraturas.
Em crianças, uma fratura pode não ser imediatamente evidente.
Por isso, dor persistente, inchaço ou dificuldade para movimentar o punho após uma queda devem ser avaliados.
Traumatismos na cabeça
As quedas durante o esqui também podem provocar traumatismos cranianos.
Por esse motivo, o uso de capacete adequado ao esporte e corretamente ajustado é uma das principais medidas de segurança.
Após uma queda, alguns sinais exigem atenção especial, como:
perda de consciência;
vômitos repetidos;
confusão;
sonolência excessiva;
dor de cabeça intensa ou progressiva;
alteração do comportamento;
dificuldade para caminhar ou falar;
convulsão.
Nessas situações, é necessária avaliação médica imediata.
Crianças têm mais risco de lesão no esqui?
Não necessariamente.
Crianças podem praticar esqui com segurança quando estão preparadas para a atividade e recebem orientação adequada.
Entretanto, existem alguns fatores que aumentam o risco de acidentes.
Experiência do esquiador
Iniciantes ainda estão desenvolvendo equilíbrio, controle da velocidade e capacidade de realizar curvas e paradas.
Por isso, o aprendizado progressivo é fundamental.
Velocidade
Quanto maior a velocidade, maior tende a ser a energia envolvida em uma queda.
Crianças devem praticar em pistas compatíveis com sua experiência e capacidade técnica.
Equipamento inadequado
Equipamentos mal ajustados podem aumentar o risco de acidentes.
O tamanho dos esquis, botas e bastões deve ser adequado à criança.
Além disso, a regulagem correta das fixações é especialmente importante.
Como prevenir lesões no esqui?
A prevenção começa antes mesmo de entrar na pista.

1. Utilizar equipamento adequado
O equipamento deve ser compatível com:
idade;
altura;
peso;
nível técnico;
tipo de atividade.
O ajuste das fixações deve ser realizado por profissional capacitado.
2. Usar capacete
O capacete deve ser específico para esportes de neve e estar corretamente ajustado.
Ele deve permanecer firme na cabeça, sem ficar excessivamente apertado ou frouxo.
3. Aprender com profissionais
Crianças iniciantes devem aprender técnicas básicas com profissionais qualificados.
Aprender a frear, controlar a velocidade e cair de maneira mais segura faz parte da prevenção.
4. Respeitar os limites da criança
Nem sempre a criança precisa acompanhar o ritmo dos adultos.
A pista e o nível de dificuldade devem ser compatíveis com sua experiência.
Cansaço também aumenta o risco de acidentes.
Quando a criança começa a perder concentração ou controle dos movimentos, é hora de fazer uma pausa.
5. Preparar o corpo
Antes da viagem, atividades que trabalhem:
força muscular;
equilíbrio;
coordenação;
mobilidade;
resistência;
podem ajudar na preparação para o esporte.
Quando uma criança deve ser avaliada após uma queda?
Nem toda queda exige atendimento médico.
Porém, alguns sinais devem chamar a atenção dos pais.
Procure avaliação quando houver:
dor intensa;
inchaço importante;
deformidade;
dificuldade para apoiar o membro;
perda de movimento;
dor que não melhora;
sensação de instabilidade no joelho;
estalo associado a dor e inchaço;
dificuldade para movimentar o polegar ou punho.
Em crianças e adolescentes, também é importante ter atenção especial às fraturas próximas às cartilagens de crescimento.
Meu filho sentiu dor depois de esquiar. Pode continuar?
Depende da causa da dor.
Uma dor muscular leve após uma atividade física diferente do habitual pode ser transitória.
Mas dor articular persistente, inchaço ou limitação de movimento não devem ser ignorados.
Continuar praticando esporte sobre uma lesão pode aumentar o problema ou dificultar a recuperação.
O ideal é interromper a atividade até que seja possível entender a origem dos sintomas.
Quanto tempo depois de uma lesão a criança pode voltar ao esqui?
Não existe um período único para todas as lesões.
O retorno depende de fatores como:
tipo de lesão;
gravidade;
tratamento realizado;
força muscular;
mobilidade;
equilíbrio;
ausência de dor;
estabilidade da articulação.
O retorno deve ser progressivo e individualizado.
Em atletas jovens, simplesmente estar “sem dor” nem sempre significa que o corpo já está preparado para voltar à atividade esportiva.
Quando procurar um ortopedista pediátrico?
A avaliação por um ortopedista pediátrico é especialmente importante quando a criança apresenta sintomas persistentes após uma queda ou trauma.
A consulta permite avaliar não apenas a lesão inicial, mas também características específicas do esqueleto em crescimento.
Quando necessário, exames de imagem podem complementar a investigação.
O objetivo é identificar a lesão corretamente e definir quando é seguro retornar ao esporte.
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